A viagem

O rio encrespa seus pelos
No vento que sopra sem rumo
Na margem são matizes de verde
No céu um azul mais profundo.

Desliza no leito do rio minha vida
Suprida em sonhos incomuns.

Não há esconderijo ao que olho
As nuvens desenham o mundo.

Em meu solilóquio reparo em mim mesmo
Ardente esfera que brilha
aos olhos de Deus
O Ser mais amado meus versos
Um tom de mil sons
Me deleito.

A paz que me envolve o peito
Cheinhos de eloquência e lirismo
Porfio com o tempo e me perco…

Mistérios e misturas o infinito.

O barco é só um pingo do rio
Que transporta vontades e defeitos
Um pouco de água em um oceano de desejos.

Lauro Apolônio