Notícias

Como o bolsonarismo explora as queimadas no Amazonas

Queimadas no Amazonas são exploradas pelo bolsonarismo em críticas ao governo.

Vanessa Almeida
Como o bolsonarismo explora as queimadas no Amazonas

Contexto das queimadas no Amazonas

Atualmente, a região do Amazonas enfrenta um aumento notável nos incêndios florestais. Desde setembro, o estado observou a ocorrência de 3.726 focos de calor, o que representa um aumento de 295,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando foram registrados apenas 942 focos. Em outubro, até o dia 13, 1.558 novas queimadas foram reportadas, predominantemente nas áreas ao sul do estado e na região metropolitana de Manaus. A situação é alarmante e levanta questões sobre como o desmatamento e a gestão ambiental estão interligados.

  • O Amazonas viu um crescimento de 336,4% nos incêndios nos primeiros dias de outubro de 2026, comparado ao mesmo período no ano passado.
  • O desmatamento e as queimadas são, tradicionalmente, utilizados por agricultores para expandir terras agrícolas e pastagens. Assim, esse tipo de prática, embora nem sempre criminal, provoca desvios ambientais significativos.

A exploração política do bolsonarismo

Partidos e figuras políticas associadas ao bolsonarismo têm utilizado as queimadas na Amazônia como erro dos governos petistas, apontando a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como responsável por altos índices de queimadas. O deputado Nikolas Ferreira, por exemplo, falou sobre o aumento das queimadas, atribuindo os recordes a gestões anteriores. Essa retórica é uma tentativa de desviar a atenção das questões mais complexas que envolvem o desmatamento e as condições climáticas que favorecem a propagação das chamas.

  • Em uma gravação que alcançou 28,5 milhões de visualizações, Ferreira defendeu que a responsabilidade dos incêndios recai sobre Lula, afirmando que as queimadas atingiram novas alturas durante sua administração.
  • Contudo, esse tipo de discurso pode simplificar uma questão multifacetada que lida com fatores como políticas públicas, desmatamento e fenômenos climáticos como o El Niño.

Comparação entre gestões ambientais

As gestões anteriores do PT e do governo de Jair Bolsonaro apresentaram cenários contrastantes no que tange à preservação ambiental e ao desmatamento. Durante os mandatos de Lula e Dilma Rousseff, foram adotadas políticas que reduziram o desmatamento em 83%, por meio de ações como o PPCDam (Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal). Foram implementadas várias disciplinas para conter a destruição da floresta.

  • De 2019 a 2022, sob o governo Bolsonaro, os índices de desmatamento voltaram a crescer, atingindo níveis alarmantes que superaram os da era anterior. Os dados apontam que o desmatamento durante esse governo foi 59,9% maior do que nos quatro anos anteriores.
  • O governo atual de Lula reiniciou as políticas de proteção, incluindo a reativação do Fundo Amazônia, o que indica um esforço para reverter os danos causados pelas administrações passadas.

O papel de Nikolas Ferreira

Nikolas Ferreira, um dos representantes do PL, tem se posicionado ativamente em debates sobre as queimadas, explorando esses eventos para criticar o governo petista. Sua comunicação frequentemente aponta a responsabilidade da gestão atual ao afirmar que recordes de queimadas estão associados às políticas do PT. Essa visão, no entanto, não considera adequadamente a complexidade da situação.

  • Ferreira destacou em seu discurso que, nos últimos 17 anos, as queimadas têm um histórico significativo de atrelamento à gestão do PT, mas ignora a dinâmica das políticas de desmatamento e os ciclos de seca acentuados pelo fenômeno climático El Niño.
  • Ao utilizar dados de queimadas, é crucial que o público compreenda que áreas queimadas não necessariamente refletem o desmatamento intencional, mas ao mesmo tempo podem ser utilizadas para promoção de práticas controversas associadas a interesses econômicos.

Impacto das queimadas na saúde pública

O impacto das queimadas na saúde pública é um tema extremamente sério. A intensa fumaça gerada por essas queimadas tem consequências diretas sobre a qualidade do ar e, consequentemente, sobre a saúde da população. Em Manaus, a concentração de material particulado (PM2,5), um poluente nocivo, atingiu patamares alarmantes com 235 microgramas por metro cúbico, superando o limite recomendado de 25 microgramas pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

  • A poluição do ar pode causar uma série de problemas de saúde, incluindo doenças respiratórias, alergias, e até mesmo problemas cardíacos. Os grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com condições preexistentes, são os mais afetados pela deterioração da qualidade do ar.
  • Medidas de prevenção são necessárias, mas as aulas e atividades externas têm sido suspensas em Manaus, dado que o ar é qualificado como "muito ruim" a "péssimo".

As consequências socioeconômicas do fogo

As queimadas e o desmatamento não trazem apenas um impacto ambiental, mas também socioeconômico. Muitas comunidades dependem dos recursos naturais da Amazônia, e as queimadas prejudicam a agricultura, a caça e a pesca, que são fundamentais para a subsistência local.

  • A devastação de áreas florestais leva ao deslocamento de comunidades locais, assim como à perda de biodiversidade.
  • Agronegócios ilegais têm crescido como resultado da exploração da terra, uma realidade que se agrava ainda mais em períodos de intensas queimadas, elevando os riscos de inundações e deslizamentos de terra.

Como o desmatamento afeta as queimadas

O desmatamento exacerbado na Amazônia influencia diretamente a frequência e a intensidade das queimadas. Quando as florestas são removidas, o solo torna-se mais vulnerável a incêndios. Essas áreas desmatadas demandam espaços para pastagens e plantações, levando a uma maior utilização do fogo como ferramenta para limpeza.

  • O aumento da temperatura e a mudança nos padrões de precipitação, aliados ao desmatamento, favorecem as condições apropriadas para o início e a propagação de incêndios.
  • O fenômeno do El Niño, que intensifica as secas, conecta-se diretamente ao aumento das queimadas, pois as florestas já comprometidas tornam-se altamente inflamáveis.

Políticas governamentais comparativas

As políticas de manejo florestal e combate ao desmatamento variam enormemente entre os diferentes governos brasileiros. A administração de Lula estabeleceu a necessidade de um pacto interinstitucional que envolve diferentes esferas de governo e sociedade civil para promover proteção e desenvolvimento sustentável.

  • O retorno das políticas associadas ao PPCDam é uma tentativa de implementar ações mais robustas contra as queimadas e o desmatamento.
  • Por outro lado, o governo de Bolsonaro havia optado por uma abordagem mais permissiva, desmantelando estruturas governamentais que promoviam o controle sobre o uso da terra em áreas críticas da Amazônia.

Efeitos do El Niño na Amazônia

O fenômeno El Niño é considerado uma variável crítica no aumento das queimadas na Amazônia. Historicamente, eventos de El Niño estão correlacionados com secas mais severas no Norte do Brasil, que por sua vez facilitam a ocorrência de incêndios.

  • Durante os anos em que o El Niño se torna prevalente, os períodos de estiagem se intensificam, criando uma janela ideal para a expansão das queimadas.
  • O comportamento anômalo da temperatura do oceano pode aumentar a temperatura média terrestre, alterando a dinâmica climática e levando a consequências severas para a flora e fauna locais.

Desafios futuros para a preservação ambiental

A preservação da Amazônia implica enfrentar múltiplos desafios que vão além do controle das queimadas. A solução para esses problemas requer um plano integrado que considere aspectos econômicos, sociais e ambientais. É fundamental desenvolver uma colaboração governamental robusta para garantir que ações eficazes sejam implementadas de forma contínua.

  • É preciso promover a participação das comunidades locais na gestão dos recursos naturais, garantindo que seus conhecimentos e práticas sustentáveis sejam respeitados e adotados.
  • Investimentos em tecnologias de monitoramento e práticas de agronegócio sustentável são essenciais para garantir que os interesses de preservação e desenvolvimento possam coexistir de maneira frutífera.

compartilhe no WhatsApp

Autor
Vanessa Almeida

Vanessa Almeida

Profissional com passagens por Designer Gráfico e gestões e atuação nas editorias de economia social em sites, jornais e rádios. Aqui no site Jornal a Ilha cuido sobre quem tem direito aos Benefícios Sociais.

Posts Relacionados